Museu Imperial de Petrópolis

August 24, 2018

Um guia completo sobre o Museu Imperial

 

 

    O Museu Imperial é o museu mais visitado do Brasil.  Possui o principal acervo do país relativo ao império, em especial do Segundo Reinado e é o único museu imperial da América Latina.  Andar por seus corredores nos faz mergulhar no século XIX. Tudo parece intacto e a sensação é de que a família real ainda vive ali. O museu fica no Centro Histórico de Petrópolis e impressiona por estar incrustado no meio da cidade e conseguir fazer você se desconectar totalmente de todo o resto assim que passa pelos portões.


 

Leia sobre os Top 5 de Petrópolis aqui.

 

 

Um pouco da história do museu

    

    Foi construído em estilo neoclássico por Dom Pedro II, na Fazenda do Córrego Seco, que foi comprada por seu pai, para se tornar sua residência de verão.  Foi totalmente custeado pelo imperador que dizia se tratar de propriedade particular e por isso não poderia usar dinheiro público.  O projeto inicial é do major Julius Friedrich Koeler, engenheiro que foi responsável por construir o palácio, levantar ali uma cidade e colonizar a região.  Em 1850, ganhou um jardim planejado e executado pelo paisagista Jean-Baptiste Binot, sob orientação do jovem imperador, com cerca de 100 espécies de árvores e flores vindas de mais de 15 regiões do mundo como México, Japão, Índia, Madagascar, Austrália, China, Equador e Argentina.  Ele mesmo escolheu bananeiras de Madagascar, árvores de incenso, camélias, jasmins e manacás.  Alguns bustos, uma estátua de Dom Pedro II, fontes e chafarizes estão espalhados pelo jardim.  O jardim é excelente para as crianças brincarem.  Se o tempo estiver bom, aproveite e descanse um pouco na grama.

    Muitas peças do palácio foram vendidas ou desapropriadas quando a Princesa Isabel alugou o palácio para o Educandário Notre Dame de Sion.  Após alguns anos, Alcindo Sodré se juntou a importantes colecionadores para reaver as peças espalhadas.  Ainda assim o  museu tem um acervo incrível, com mais de 250 mil peças, e é riquíssimo em detalhes em cada cômodo, que vão desde berços folheados a ouro e banheiras até cigarreiras e pentes, verdadeiras relíquias.  Objetos como leques, caixas de luvas, garrafas de cristal e porcelanas também estão muito bem preservados e expostos.  Possui piso em mármore de Carrara e mármore preto originário da Bélgica e assoalhos e esquadrias em madeiras de lei, como o jacarandá, o cedro, o pau-cetim, o pau-rosa e o vinhático, procedentes das diversas províncias do Império. 

 

 

A visita

 

  Depois de ter comprado sua entrada na bilheteria, você poderá subir a rampa lateral ou passear pelo jardim inferior.  Ambos chegam no pátio do museu.  Você entrará no museu pela porta principal.  Ali calçará pantufas que impedem que o piso seja deteriorado.  Se estiver com crianças a farra está garantida.  Mais a frente, antes de começar o percurso, deverão ser deixadas no guarda-volumes bolsas e máquinas fotográficas, pois fotos não são permitidas no interior do museu.  O palácio tem um andar superior acessado por uma linda escadaria mas conta com elevadores para cadeirantes e pessoas com necessidades de locomoção. 

    Todas as salas possuem um toten com uma explicação do que são e o que acontecia ali, mas você pode usar o App Museu Imperial: história em mãos, disponível para IOS ou Andoid, em inglês ou português ou, ainda, a opção "áudio" ou "texto" para pessoas com deficiência.

    A visita percorrendo todos os cômodos dura pouco mais de uma hora, mas caso você seja apaixonado por história e queira apreciar mais os detalhes e documentos expostos pode durar muito mais que isso.

   

 

Os principais objetos

 

    O museu tem em destaque uma sala escura que guarda as coroas e o cetro usados por Dom Pedro I e II, as principais peças do museu.  Além disso, é possível ver outras jóias e os trajes reais.   

 

 

 A Pena de Ouro

 

     A Pena de Ouro é a pena usada pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888, para assinar a Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil.  Ela foi adquirida pelo Ministério da Cultura em 2006, por R$ 500 mil.  Foi comprada de Dom Pedro Carlos de Orleans e Bragança, bisneto da princesa.  

    Pesa 13 gramas, mede 22 centímetros, é feita de ouro 18 quilates, tem 27 diamantes e 25 pedras vermelhas e foi confeccionada especialmente para este ato.

 

 

As principais salas do museu

 

- Sala de Jantar, com rico conjunto de móveis assinados por F. Léger Jeanselme Père & Fils, e serviço de louças;

 

- Sala de Música, uma vez que a família imperial tinha um gosto especial para música, que preserva uma harpa dourada de fabricação Pleyel Wolff, o pianoforte de fabricação inglesa Broadwood, que teria pertencido a Dom Pedro I e a espineta fabricada por Mathias Bosten, em 1788, a única existente no mundo deste autor.  Todo o mobiliário é de jacarandá; 

 

 

- A Sala de Estado, a mais importante do palácio, onde Dom Pedro II recebia visitantes oficiais. O trono que, originalmente, ficava no Palácio da Quinta da Boa Vista e só veio mais tarde para o Museu Imperial, junto com objetos de adorno como vasos, porcelanas de Sèvres, consoles e espelhos decorados;

 

 

- O Gabinete de Dom Pedro II, onde o imperador passava a maior parte do dia em meio a instrumentos científicos e livros.  Ali estão sua luneta, o primeiro telefone do Brasil, que ele trouxe dos Estados Unidos, sua chaise-longue e diversos retratos pintados de familiares;

 

- Aposentos das Princesas, preservando os ambientes originais ocupados pelas princesas dona Isabel e dona Leopoldina, com mobília em estilo Dom José I.  Você identificará as salas pelos sofás e cadeiras de jacarandá que apresentam a inicial de seus nomes, sob a coroa entalhada;

 

- Sala de visitas da Imperatriz, onde Dona Teresa Cristina recebia suas amigas em caráter privado, para conversas e sessões de bordados.

 

    O palácio de verão da família imperial não possuía água encanada. No andar superior havia um quarto de banhos com uma banheira de folha de flandres e um lavatório de louça.  A água era transportada em vasilhas apropriadas. Como vaso sanitário utilizavam-se as comuas ou chaises-percées, espécies de cadeiras com urinóis embutidos. Você verá um desses durante a visita.  A cozinha ficava em um anexo atrás do palácio. A comida era transportada para o corredor lateral à sala de jantar, em caixas de madeira forradas de zinco, com carvão em brasa ao fundo para mantê-la quente. No corredor, a comida era transferida para as travessas que iam à mesa.

 

 

O que mais pode ser visitado no complexo

 

  Além do palácio e dos jardins, o museu possui outras áreas de visitação.  Nessas áreas fotos são permitidas.

 

- Sala da Batalha de Campo Grande: que abriga o famoso quadro de Pedro Américo que dá nome ao espaço;

 

- Pavilhão das Viaturas: a construção que abriga uma coleção de meios de transporte típicos do século XIX está localizada onde ficavam as antigas cocheiras e armazéns, chamados ucharias. O local também abrigava os poucos escravos, cocheiros e auxiliares de serviços gerais do palácio, além de mantimentos e instrumentos de trabalho. Hoje, é possível ver, entre outras coisas, a carruagem de gala de D. Pedro II.  

 

- Pátio Lourenço Luiz Lacombe: que abriga a "Leopoldina", locomotiva que fazia o trajeto de subida da serra no início do século XX. 

 

   Além disso, possui um arquivo histórico documental impressionante, que é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e pode ser acessado por todos mediante agendamento prévio, além de milhares de peças, principalmente quadros, não expostas e guardadas ali mesmo.

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Espetáculo Som e Luz

 

    A história começa no dia do baile das princesas, quando as irmãs Isabel e Leopoldina são apresentadas a seus futuros maridos, o Conde d'Eu e o Duque de Saxe.  Toda a corte está subindo a serra para comparecer ao evento. Você vai ouvir o cocheiro convidá-lo para embarcar na carruagem que leva os convidados para o palácio imperial.

    Tem narração de Paulo Autran e o palácio fica totalmente iluminado.

    Você também ouvirá sobre a Guerra do Paraguai, a assinatura da Lei Áurea e a chegada da República.  Dura 45 minutos e é bem elaborado.

 

 

A loja do Museu

 

 

    A loja do museu conta com objetos relativos à coroa imperial.  Não deixe de ver as louças Luiz Salvador inspiradas nas originais usadas pela corte. 

 

 

Coleção Geyer

 

    Doada ao Museu Imperial em abril de 1999 pelo casal Maria Cecília e Paulo Fontainha Geyer, a coleção reúne um dos maiores conjuntos de desenhos, pinturas, gravuras, mapas, álbuns e livros de viagem sobre o Brasil, produzidos por artistas estrangeiros, cientistas, exploradores e viajantes que passaram pelo país entre os séculos XVI, XVII, XVIII e, sobretudo, no XIX.

 

 

Cafeteria

 

    Antes ou depois de sua visita você pode parar para um café ou para almoçar ali mesmo. O Duetto´s Café e Bistrô está instalado no Jardim do Museu Imperial.  Escolha uma mesa do lado de fora e  continue apreciando o lugar.

 

 

Atividades ao ar livre

 

    Às quartas-feiras é possível praticar atividades gratuitas nos jardins e pátios do museu. Entre as aulas oferecidas estão Tai-Chi-Chuan, de 7:30h às 8h, caminhada, de 8h às 8:30h e alongamento, de 8:30h às 9:30h.  É bem provável que você encontre grupos praticando yoga ou meditando.  Você pode se juntar a eles se quiser.

 

 

O acervo digital


    O Arquivo da Casa Imperial do Brasil é composto por cerca de 80 mil documentos datados de 1249 a 1932.  O arquivo é composto, na maioria, por documentação textual mas também possui fotografias, gravuras, desenhos, mapas, plantas, folhetos e periódicos relacionados ao Brasil Reino, Rio da Prata, América espanhola, Brasil Império (primeiro e segundo reinados) e República Velha. 

     Por enquanto apenas 210 itens estão disponíveis para consulta e tratam de abertura dos portos, ajustes de paz, arquitetura naval, batalhas, bens da coroa, bulas papais, canonizações, capitanias, comércio, Companhia de Jesus, corte portuguesa, doações régias, escravidão, exércitos, fábricas, faculdades, festas públicas, hospitais, indulgências religiosas, legislações, navegações, obras científicas, ordens régias, entre muitos outros.  Qualquer pessoa pode acessar.

 

 

Informações:

Endereço: Rua da Imperatriz, nº 220

Horário de visitação: de terça a domingo, de 10:30h às 18h. 
Bilheteria: de terça a domingo, de 10h às 17h.

Jardins: de terça a domingo, das 7h às 17:30h
Entradas para o palácio:

 - Inteira R$ 10,00 e meia R$ 5,00.  

 - Estudantes, professores e maiores de 60 anos R$ 5,00
 - Moradores de Petrópolis e petropolitanos, às quartas-feiras e no último domingo do mês: gratuito

 - Brasileiros maiores de 80 anos e menores de 7 anos, guias de turismo com registro no Cadastur e portadores de necessidades especiais.

- Espetáulo Som e Luz: Inteira R$ 20,00 e meia: R$ 10,00

A bilheteria fica na entrada lateral mas você pode acessar o jardim pelo portão principal e ir até a bilheteria.

Não é possível comprar bilhetes on line.

 

 

 

Enjoy!

 

 

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